The Committee for Skeptical Inquiry (CSI)

 

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O Committee for Skeptical Inquiry (CSI), anteriormente conhecido como Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal (CSICOP), é uma organização estadunidense sem fins lucrativos, cujo objetivo declarado é “incentivar a investigação crítica do paranormal e das alegações da ciência-não-ortodoxa de um ponto de vista científico e responsável, disseminando a informação factual sobre os resultados de tais investigações para a comunidade científica e o público".

 

Até a metade da década de 70, as alegações de céticos e desmistificadores do paranormal estavam desorganizadas. Inexistia qualquer estrutura formal que pudesse representar institucionalmente o ponto de vista deles. O ceticismo desenvolvia-se a partir de investidas pessoais, como as de Martin Gardner, autor de Fads and Fallacies in the Name of Science.

 

Nos anos que se seguiram a 2ª Guerra Mundial, um número crescente de livros favoráveis às visões paranormais foi publicado, impulsionado, principalmente, pelas divulgações dos resultados positivos de percepção extra-sensorial achados por Rhine e colegas na Universidade de Duke.

 

Como resposta à ascensão mística e à ameaça de um suposto retorno a eras de irracionalidade, um filósofo da State University of New York, Buffalo, chamado Paul Kurtz, também editor da The Humanist (revista bimestral da American Humanist Association - AHA), determinou-se a fazer algo contra o aumento da popularidade da astrologia. Ele coletou 186 assinaturas de cientistas, incluídos 18 laureados Nobel, para um Manifesto intitulado “Objeções à astrologia”, publicado na edição de setembro/outubro de 1975 da The Humanist, provocando alvoroço na imprensa. O New York Times chegou a colocar a história na primeira página em sua edição de 03 de setembro daquele ano. O documento basicamente afirmava que a astrologia, além de não ter base científica, perverte a sociedade moderna, especialmente, ao disseminar - em jornais, livros e revistas - horóscopos, previsões e mapas isentos de críticas.

 

Digno de nota foi o fato do falecido Carl Sagan negar-se assinar o manifesto. Suas razões foram expostas numa carta endereçada à revista The Humanist. Sagan alegou que depoimentos parecendo ter tom autoritário ao contradizer visões populares, de extremidade ou pseudociência podem trazer mais estragos do que benefício. E o que pode parecer absurdo hoje em dia aos olhos da ciência, talvez seja validado amanhã como um autêntico conhecimento baseado em observações testáveis.

 

Encorajado pelo sucesso na imprensa de seu ataque à astrologia, Kurtz idealizou fundar uma Organização que tivesse o objetivo de questionar a validez das alegações favoráveis ao paranormal. Assim, na convenção da AHA realizada em 30 de abril a 2 de maio, em Buffalo, 1976, veio à luz o Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal (CSICOP).

 

Um pouco antes, Kurtz havia convidado o cético e sociólogo da ciência, Marcello Truzi, autor do jornal Exploration (1972), posteriormente nomeado The Zetetic (1974), e fundador da Resources for the Scientific of the Paranormal - RSEP, 1975, para co-presidir o CSICOP. Acordaram que a revista oficial da organização seria The Zetetic. Mas, diferentemente de Kurtz, Truzi era marcado pela ponderação, e só veio aceitar o cargo sob o compromisso de que os fins da Instituição seriam caracterizados por uma abordagem crítica aberta, e não apenas a de desbancar, como a The Humanist até então fazia. Truzi ainda deixou claro não ser um humanista.

 

Com o lema de “análise objetiva e inquérito imparcial”, o CSICOP captou rapidamente credibilidade e atraiu grandes cientistas e filósofos, como Antony Flew e W. V. Quine, filósofos, Carl Sagan, astrônomo, B.F. Skinner, psicólogo, entre outros. Seja como for, dentre os seus membros, apenas Sagan tinha alguma experiência em pesquisa sobre fenômenos anômalos, especificamente a respeito das observações de UFOs. Mágicos também tiveram presença significativa na composição do CSICOP, como James Randi.

 

Um ano depois, Truzi largou a co-presidência ao observar que as professadas metas de crítica imparcial foram substituídas por uma intensa cruzada contra o paranormal. A então revista oficial do CSICOP, The Zetetic, foi substituída pela Skeptical Inquirer, cuja edição passou a ficar a cargo de Kendrick Frazier, situação que permanece até hoje.

 

O primeiro e único experimento: o Efeito Marte

 

Ironia do destino ou não, os psicólogos e estatísticos franceses Michel e Françoise Gauquelin, conhecidos por refutarem muitas das assunções da astrologia tradicional, haviam observado que a posição dos planetas na hora do nascimento está correlacionada com certas características humanas. A alegação mais forte foi o chamado Efeito Marte, o qual preconizava que atletas campeões nasciam quando Marte estava “nascendo” ou “transitando" mais do que se poderia esperar por simples acaso. Os Gauquelins dividiram o céu em 12 setores. De acordo com as leis da probabilidade, as chances de Marte estar no setor 1 (nascendo) ou no 4 (transitando), na hora do nascimento, são de 17%. Pois bem, na amostra de 2.088 atletas dos Gauquelins, o tamanho do efeito encontrado foi de 22%, com probabilidades de milhões contra 1, a fim de se explicar o resultado por mero acaso. Guy Leon Playfair, em Has CSICOP Lost the Thirty Years’ War?, informa que os achados foram replicados por um grupo de céticos belgas conhecido como Comité Para.

 

Quando Lawrence Jerome, num artigo publicado junto com o manifesto na The Humanist, atacou o Efeito Marte, os franceses reagiram imediatamente. Nesse momento o CSICOP deu sua primeira e única investida científica, sob o comando de um Kurtz frenético para desbancar de vez o obscurantismo trazido pela superstição astrológica.

 

Marvin Zelen, outro membro do Committee, idealizou um projeto para testar o efeito, embora a meta real fosse desbancá-lo. O resultado foi um desastre total para o CSICOP. Os Gauquelins colheram dados de “não-campeões” na Europa que houvessem nascido no mesmo lugar e época que uma sub-amostra daquela de 2.088 “atletas vencedores”. Quando os dados estavam preparados, eles foram entregues ao Committee para análise. Os resultados não apareceram na imprensa antes de 2 anos!

 

O cético, astrofísico e co-fundador do CSICOP, Dennis Rawlins – único membro do Committee envolvido com o projeto que era perito em movimentos planetários – revelou após ser excluído da organização, num artigo de 31 páginas, intitulado Starbaby (publicado na revista Fate, em outubro de 1982), que a razão para o longo tempo da publicação dos resultados foi que eles confirmaram a previsão dos franceses. Então Kurtz, Zelen e o astrônomo George Abell perderam-se em esforços para “falsificar os resultados, cobrir seus erros e chutar um colega (Rawlins) que os estava ameaçando de contar a verdade”.

 

Quando Rawlins procurou outros membros do Committee, como Gardner, Frazier, Randi e o engenheiro elétrico e jornalista, Philip J. Klass, ficou chocado ao observar que eles estavam mais interessados em mantê-lo quieto do que revelarem a verdade. Quando Rawlins recusou-se a liberar a edição, ele foi excluído da Organização.

 

Com insistência Rawlins advertiu os líderes do Committee sobre os riscos à reputação do CSICOP. Os Gauquelins haviam feito corretamente a análise estatística, caindo sobre o método de amostragem a única chance de nulificar o efeito. E em sua resposta ao reporte de Kurtz, Zelen e Abell (reporte KZA), Is There a Mars Effect? Rawlins esclareceu,

 

No reporte KZA tentou-se obscurecer o claro sucesso que Gauquelin tinha atingido. O teste de controle foi analisado sobre 16.756 não-campeões nascidos próximos (em tempo e espaço) dos 303 campeões (uma sub-amostra daquela original de 2.088 campeões). KZA acreditaram que eles também escorariam 22% nos setores-chaves (1 e 4), assim estabilizando que o percentual de 22% de campeões foi ‘natural’. De fato, os não-campeões escoraram exatamente o nível do acaso (17%) que os Gauquelins predisseram.

 

Kurtz, Zelen e Abell utilizaram várias técnicas para reduzir ao acaso os resultados encontrados nos 303 atletas campeões, apelando para subdividir a amostra em localizações geográficas, sustentando que a significância foi encontrada apenas em Paris ou excluir as atletas femininas (estatisticamente é de conhecimento amplo que ao se reduzir o tamanho da amostra, a significância do efeito pode ficar ou comprometida ou não-confiável). Em todo caso, essas acrobacias estatísticas não foram suficientes e investigações independentes de Patrick Curry e do psicólogo, membro do CSICOP, Richard Kammann, apoiaram as conclusões de Rawlins.

 

Seja como for, antes de Rawlins publicar suas revelações, ele tinha entrado em contato por telefone com Randi algumas vezes, sendo dito por este que o CSICOP mantêm-se afastado do assunto Gauquelin e que não lava sua roupa suja em público. O saldo final desse escândalo foi a reorientação da política do Committee por sua Direção, ficando assentado que, em nome do CSICOP, pesquisas não mais seriam conduzidas, reservando-se a organização apenas a criticar o trabalho dos outros.

 

É o CSICOP uma organização científica?

 

De acordo com a carta de arrecadamento de fundos do CSICOP em 1987, a revista Skeptical Inquirer (SI) "é o maior periódico no mundo que examina as alegações paranormais e ocultas do ponto de vista científico". Mas será isso verdade?

 

Primeiro, quem conhece um pouco de pesquisa de "ciência de borda", ou de assuntos de extremidade, sabe que o secular jornal (par-revisado) e as atas da Society for Psychical Research - SPR (1882) têm sido os maiores expoentes na divulgação de artigos a favor e contra os fenômenos anômalos mais diversos, inclusive sobre psi. Em segundo, a S.I dificilmente pode ser considerada uma revista científica. A esse respeito, George Hansel comenta (Journal of the American SPR - janeiro de 1992) que: "a revista quase sempre mostra um só lado da controvérsia em seus artigos (...) artigos completos de críticas ao CSICOP quase nunca aparecem".

 

À época de seu artigo, Hansen já observava que somente um membro dos quadros da Diretoria é cientista e nenhum dos numerosos membros e consultores tem qualquer direito a voto - aliás o Committee é presidido à mão de ferro por Paul Kurtz desde a fundação em 1976. Em seu artigo, Hansen concluía que este "controle não-científico na liderança do CSICOP se reflete nas atividades da Organização", situação que permanece até hoje, tendo em vista que o Committee é presidido por um advogado, Edward Tabash, ativo ateísta que desenvolve uma cruzada contra vários filósofos religiosos de renome mundial. Playfair, a seguir, nos traz três exemplos disso:

 

Em abril de 1993, o jornal da SPR publicou um artigo da psicóloga e membro do CSICOP, Susan Blackmore, sobre a alegada telepatia em gêmeos idênticos. Na breve revisão da literatura relevante, ela escreveu que o pesquisador pioneiro, Aristide Esser, 'não forneceu evidência para resposta simultânea em gêmeos'. Mas esse é um fato que Esser embasou. Ele ainda imprimiu um gráfico completo registrando 'mostrar quão óbvias as reações são'. Embora Blackmore tenha observado que 'nenhuma conclusão firme’ poderia ser tirada do estudo, em razão da pequena amostra de gêmeos idênticos testados (exatamente três pares), o artigo dela tem sido citado como tendo desbancado a telepatia entre gêmeos, o que é certamente uma inferência desautorizada.

 

Movendo as traves a favor da tática do CSICOP, qual seja, a de testar alguém para aquilo que ele nunca alegou ser capaz de fazer. Um exemplo particularmente grosseiro disto é o professado teste de Natasha Demkina, a ‘a garota com olhos de raios-X” - por dois membros do CSICOP (professores Hyman e Wiseman). Um outro foi o professado teste do “detetive do sonho” (de Chris Robinson, que alegava poder sonhar no futuro e descobrir o que seria colocado dentro de uma caixa selada). Ele concordou em fazer isso num episódio de Mistérios do Universo, de Arthur C. Clarke. Todavia, ao chegar no estúdio, a ele foi pedido fazer algo completamente diferente, i.e., segurar um objeto conectado a um crime e descrever os eventos e pessoas relacionados. Isto é conhecido como psicometria, algo que Chris nunca fez e nunca alegou ser capaz, e, embora ele não tenha falhado totalmente, os expectadores foram claramente deixados a acreditar que ele não tinha, de nenhuma maneira, poderes psíquicos, a despeito da abundante evidência ao contrário (veja http://www.dream-detective.com/).

 

 Um outro problema em criticar o "paranormal" é não se estabelecer o próprio significado da palavra. Exatamente o que significa paranormal? Playfair conta que nos Manifestos do CSICOP usualmente fala-se rapidamente de tudo, desde o triangulo das Bermudas, do Papai Noel, do Abominável Homem das Neves, do Pé Grande e de todos os estudos dos parapsicólogos. Playfair continua:

 

A American Heritage Dictionary define paranormal como “além do alcance da experiência normal ou da explicação científica”. Ataques contra o paranormal, de per se, implicam que nada tido por inexplicável poderia, de algum modo, ser estudado ou ainda mencionado em público. Se essa atitude tivesse se tornado a política oficial de se fazer ciência, muitas pesquisas em Física, Biologia, Astronomia, Medicina e muitos outros assuntos simplesmente continuariam parados, e nós nunca, por exemplo, teríamos provado a existência da deriva continental, a qual estava além da explanação científica quando Alfred Wegener primeiro lançou a ideia em 1915.

 

Enfim, qual a natureza do CSICOP?

 

Os membros do Committee ao longo do tempo deram diversos exemplos (e declarações) que mostram sua meta real: basicamente a de promover o ateísmo e combater aquilo poderia prejudicar a visão mecanicista erguida desde o século XVII. Para Kurtz e muitos outros membros do CSICOP, a crença no paranormal é alicerçada, em parte, sobre a mesma base da crença religiosa, e porque, em sua visão, a religião é ilusória e nociva, a crença no paranormal é também um perigo para a sociedade. Chris Carter (2007) desce mais afundo sobre esse ponto:

 

A revolucionária e nova ciência que começou no século XVII, com suas assunções mecanicista e materialista, deu aos intelectuais as ferramentas para efetivamente desafiarem a autoridade da Igreja e as escrituras, e classificá-las como um apelo à razão humana e a valores seculares. Na nova visão de mundo, dado o nascimento desta nova ciência, existiu pouco, se algum espaço, para a intervenção de divindades, para a ação de uma mente imaterial e para os corolários, como telepatia, visão-dupla e outros fenômenos ‘supernaturais’, os quais eram agora rejeitados como vulgar superstição. É essa a visão de mundo que é defendida pelos seculares e modernos humanistas, aquela que eles acertadamente veem como estar em risco pelas alegações da Parapsicologia. Para muitos humanistas, a expansão da aceitação destas alegações seria o primeiro passo para o retorno do fanatismo religioso, da superstição e da irracionalidade.

 

Não obstante, compondo amplamente a minoria do corpo do Committee, alguns, como Martin Gardner, opõem-se às descobertas da Parapsicologia em razão de seus crenças religiosas. Gardner, em The Whys of a philosophical scrivener (1983), escreveu: "eu estou entre aqueles teístas que, no espírito de Jesus, observa que somente o incrédulo busca por sinais, e considera esses testes fúteis e blasfemos. Não nos permitamos incitar Deus".

 

Engrossando as fileiras do CSICOP fizeram ou ainda fazem parte alguns reconhecidos mágicos e ilusionistas. Carter cita, por exemplo, Henry Gordon, Milbourne Christopher, Robert Steiner, Persi Diaconis e James Randi. Sem falar que Martin Gardner e Ray Hyman contribuíram para revistas sobre mágicas.

 

Muito embora a presença de ilusionistas seja marcante dentro da organização cética do Committee, várias pesquisas mostraram, surpreendentemente, que conjuradores geralmente acreditam no paranormal. Carter nos cita que Birdsell pesquisou um grupo de mágicos na Califórnia e encontro 82% que acreditavam em ESP. Muller pesquisou conjuradores na Alemanha e achou 87% deles que pensam ser a ESP verdadeiramente genuína e 25% que acreditam que a ciência demonstrou a existência de percepção extra-sensorial.

 

Em resumo, o CSICOP é composto de uma massa de intelectuais de alto nível, os quais, de maneira organizada, acreditam estarem fazendo um favor à sociedade ao lutarem por banir a superstição e a irracionalidade. Nesse sentido, os membros do Committee, em geral, não preenchem uma comunidade de céticos, uma vez que o ceticismo é marcado pela dúvida, enquanto os seus seguidores - regradamente - e sua Direção são caracterizados pela negação apriorística. Se equacionarmos ainda os fatos de que: a organização se recusou a fazer pesquisas; que em seu periódico apenas publicam artigos de um só lado da opinião; que no histórico de seus líderes e mais proeminentes ícones existem registros de manipulação de dados, distorções de conclusões, generalizações e testes falhos e pré-arranjados para o fracasso, teremos, a bem da verdade, uma instituição altamente fundamentalista com seus líderes congratulando-se por viveram na ilusão de estarem desbancando as evidências de fenômenos anômalos.

 

Para concluir, pode-se dizer que o CSICOP é um poderoso grupo de pressão, bem articulado, inclusive na imprensa, que tem como objetivo de influenciar e incentivar a crença de que fenômenos "paranormais" não existem ou são impossíveis.

 

Tem o CSICOP logrado sucesso?

 

Quando o CSICOP celebrou seus 20 anos de existência em 1996, a editora de sua publicação britânica (The Skeptic), Wendy Grosman, admitiu que "passados esses 20 anos, as coisas que o CSICOP foi fundado para combater se tornaram muito piores". Playfair nos detalha ainda mais o quadro geral sobre o crescimento da crença no paranormal:

 

O pior ainda estava por vir, como escreveu Playfair, pois, cinco anos depois daquela admissão, a pesquisa Gallup revelou um claro aumento na crença exatamente sobre tudo, desde casas mal-assombradas (aumento de 13% da primeira pesquisa), comunicação com os mortos (de 10%), cura psíquica (de 8%) a reencarnação (de 4%). Então em maio de 2006, no trigésimo aniversário do CSICOP, que quase coincidiu com o dia de outro abalo ao sistema cético: uma nova pesquisa organizada pela Reader's Digest sobre ‘como saber quando alguém que você não vê está lhe observando’ (68%) e ‘saber quem está ligando antes de você atender ao telefone’ (62%). Além disso, mais da metade (52%) reportou exemplos de premonição frequentes em sonhos, enquanto perto de 1/5 (19%) alegou ter visto um fantasma.

 

O mais desastroso para os “céticos” foi a própria pesquisa do CSICOP publicada na Skeptical Inquirer (edição de Jan/Fev de 2006). O foco recaiu sobre estudantes universitários - 439 deles - porque, os autores explicaram, “assumimos que a educação mais refinada, como um dos poucos baluartes remanescentes do pensamento crítico, forneceria pouco espaço para crenças pseudocientíficas ou paranormais”.

 

Para testar essa assunção super otimista, as perguntas foram similares àquelas da pesquisa Gallup de 2001, mas a redação de algumas delas sugeriram que o CSICOP realmente não entende o que foi proposto a ser investigado. Por exemplo, os estudantes foram perguntados se acreditavam em “clarividência, ou o poder da mente conhecer o passado e predizer o futuro” (clarividência realmente significa ver a distância sem o uso de sentidos conhecidos. Predizer o futuro é usualmente conhecido como profecia ou precognição). Uma questão ainda mais descuidadamente expressada concernia a “cura psíquica ou espiritual ou o poder de mentes humanas curarem o corpo”. Essas são matérias inteiramente distintas, a última sendo inquestionável como qualquer hipnoterapeuta ou pesquisador que tem realizado tentativas usando placebo reconhecem há, no mínimo, 200 anos.

 

Além disso, questões sobre ESP e telepatia foram perguntadas em separado, os questionados, evidentemente, não estavam cientes que telepatia era um exemplo de ESP (um termo raramente usado nos dias de hoje por parapsicólogos) e que alguém não pode, por definição, acreditar em uma sem acreditar na outra também. Então é difícil entender como o CSICOP apareceu com um nível de 28% de crença em ESP, mas somente 24% em telepatia. De qualquer forma, os resultados claramente demonstraram que ainda existe plenamente lugar para “crença no paranormal” em níveis de educação de mais alto nível; níveis de crença, para algumas questões, sendo quase exatamente os mesmos que aqueles na pesquisa Gallup.

 

Enfim, mais de três décadas de existência do Committee, e sua existência - diga-se, desnecessária para um controle científico, uma vez que a comunidade já dispõe de mecanismos específicos, que embora não sejam perfeitos, apresentam um razoável grau de segurança, a exemplo da par-revisão e da replicação independente - não serviu bem aos propósitos do lobby ateísta e mal disfarçado sobre o manto da inquirição imparcial. Caso o CSI pudesse pertencer à vanguarda do esclarecimento ou da iluminação de nossa civilização, dificilmente as religiões – arqui-inimigas diretas da maioria dos líderes e de muitos membros do Committee, também não poderiam, isso porque ambos os grupos são fundamentados num sistema próprio de crença que não concedem espaço ao autoquestionamento, à dúvida e à revisão. São polos antagônicos do verbo “crer”, conjugado mais pelo sentimento do que pela razão e dotados de pensamentos absolutos que não admitem reforma, nem contraditório. Em última análise, toda a crítica que o Committee faz às correntes de pensamento místico e ocultista pode ser revertida para ele próprio, ao tentar obscurecer as evidências de assuntos ainda não compreendidos.

 

Para a compilação deste tópico, utilizei-me, principalmente, dos escritos de Carter, Chris (2007). Parapsychology and the Skeptics: a Scientific Argument for the Existence of ESP. SterlingHouse Books; Playfair, Guy Lyon. Has CSICOP Lost the Thirty Years' War? The Association for Skeptical Investigations e Rawlins, Dennis. Starbaby. Fate Magazine, nº. 34, outubro de 1981, pp.67-98.