Refutando James Randi

 

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Em 2008, o editor do Daily Grail, Greg Taylor, autor do interessante livro Stop Worrying! There probably is an Afterlife, publicou em seu site uma das mais lúcidas e diretas análises sobre o mito de 1 milhão de dólares oferecido pela Fundação do mágico/ilusionista James Randi para quem conseguisse comprovar possuir habilidades paranormais. Vejamos então essa análise:

 

Por dez anos o moderno movimento cético desferiu pancadas contra as alegações paranormais: o Desafio de um milhão de dólares de James Randi. Sobre muitos debates acerca da possibilidade das habilidades psi, o Desafio fornece uma palavra final para um lado..."Fulano solicitou o Desafio?" A recompensa oferecida pela James Randi Educational Foundation é vista por muitos céticos como algo que fornece uma motivação irresistível para qualquer um que tenha habilidades paranormais - afinal, se alguém pudesse genuinamente exibir tais poderes, seguramente iria pegar um milhão?

 

Porém, depois de dez anos, a James Randi Educational Foundation (JREF) disse que ninguém até agora passou em seu teste preliminar. Além disso, nenhum "peixe grande" – como o médium John Edward, o entortador de colheres Uri Geller, a psíquica Sylvia Browne - solicitou. Em seguida, talvez como resultado desse fato, James Randi chegou a anunciar que o Desafio iria terminar em 6 de março de 2010 (porém, o desafio permanece de pé, conforme podemos consultar aqui).

 

Mas o desafio realmente faz uma declaração sobre a existência do paranormal e/ou habilidades psi? De acordo com o investigador paranormal Loyd Auerbach (que, como Randi, é um membro da fraternidade mágica): a sugestão de que, terminando o desafio depois de 10 anos, ela dará base a qualquer declaração de que psi não existe ou então alguém teria ganhado o desafio é absurda em muitos graus. Os procedimentos do Desafio incluíram vários obstáculos a favor de Randi e da JREF e muitos ‘extras’ que qualquer indivíduo hábil em algum tipo de apresentação humana extraordinária pensaria duas vezes sobre (e aqui eu não estou apenas me referindo a psíquicos e semelhantes).

 

Quais são os obstáculos que Auerbach se refere?

 

Primeiro, e talvez o mais importante, é o tamanho do efeito exigido para ganhar o desafio. Enquanto a JREF diz "todos os testes são projetados com a participação e a aprovação do candidato", isso não significa que os testes sejam testes científicos justos. A JREF precisa proteger uma quantia muito grande em dinheiro de possíveis "tiros de longo alcance", e em razão disso ela pede resultados extremamente significativos antes de pagar - resultados muito mais fortes do que são (e se você não concordar com as condições, sua solicitação é rejeitada). No caso da pesquisa parapsicológica, porém, onde o tamanho do efeito é frequentemente pequeno (entretanto aparentemente robusto), significa que a maioria dos pesquisadores teria que ir a extensões extraordinárias para ganhar um milhão de dólares. Como um pesquisador psi assinalou a Greg:

 

Nos testes de telepatia em ganzfeld a taxa da meta-análise com sujeitos aleatórios atinge 32% onde a expectativa do acaso é de 25%. Se estes 32% de taxa são o efeito "real" de telepatia, então para termos uma probabilidade de 99% para conseguir um efeito significativo em p menor que 0.005, nós precisaríamos de 989 testes. Uma sessão ganzfeld dura mais ou menos 1 hora e meia, ou mais ou menos, 1,483 hora/total. As experiências anteriores mostram que não é aconselhável realizar mais de uma sessão por dia. Então nós potencialmente temos que recrutar 989 x 2 pessoas para participar; um experimentador gastará 4 anos, diariamente, testando com estas pessoas, para no fim atingir p inferior a 0.005. Randi dirá que aqueles resultados não são bons o suficiente, porque você poderia consegui-los por um acaso de 5 em 1.000 vezes. Deste modo, ele exigirá probabilidades maiores contra o acaso; de pelo menos um milhão para 1 a fim de liquidar o $1 milhão, e então a quantidade de dinheiro necessária para conseguir um resultado significativo seria maior que $1 milhão.

 

Além disso, os candidatos devem primeiro passa por um "teste preliminar" antes de receberem a permissão para passarem ao teste "formal" que paga 1 milhão de dólares. Assim um candidato deve primeiro mostrar resultados positivos num teste preliminar (rendendo resultados contra o acaso de pelo menos 1.000 para 1), então, uma vez superado, ele iria para a próxima fase e teria que mostrar resultados positivos contra o acaso muito mais altos para reclamar o prêmio (por todos os relatórios, a probabilidade aproximada seria de 1 milhão para 1). Falhar num ou outro teste não traz nenhum prêmio, mas sim um fracasso ao lado de seu nome. Algo semelhante a isso seria dizer a um golfista profissional para acertar 63 em volta da Augusta National, e então voltar e acertar 59, para provar que ele pode jogar golfe. Nas palavras de Chris Carter, autor de Parapsychology and the Skeptics:

 

Se Randi estivesse realmente interessado em testar alegações incomuns, então ele não insistiria em resultados com probabilidades de no mínimo 1 milhão para 1 contra o acaso. Qualquer um familiarizado com estudos científicos estaria ciente que os resultados experimentais contra o acaso, digamos, 800.000 para 1, seriam considerados extraordinários; mas esses resultados altos seriam, de acordo com Randi, um “fracasso”.

 

Dr. Michael Sudduth da San Francisco State University também me assinalou uma ironia maravilhosa em uma das regras. A regra 3 do Desafio diz: "nós não temos nenhum interesse em teorias nem explicações de como os poderes alegados poderiam funcionar". Como Sudduth analisa isso: “curiosamente, o próprio Desafio de Randi assumiu a responsabilidade de suposições deste tipo. O desafio faz pouco sentido, a menos que assumamos que psi é uma espécie de coisa que, se genuína, pode ser produzida por demanda, ou pelo menos que seja provável de se manifestar de alguma maneira clara sob as condições especificadas do desafio".

 

Como uma consequência, você poderia bem dizer "nenhuma maravilha, nenhum pesquisador sério solicitou o Desafio". Interessantemente, esse não é o caso. Dr. Dick Bierman, que tem um PhD em Física, informou a Greg Taylor que de fato abordou James Randi sobre o desafio de 1 Milhão de Dólares no início de 1998. Bierman reportou um sucesso ao reproduzir experiências de pressentimento (onde as reações humanas parecem emergir marginalmente antes de um evento acontecer), e foi subsequentemente questionado por Stanley Klein da University of California (pois, se os resultados para efeitos psi eram positivos e replicáveis, porque não atendeu ao desafio de Randi?). Bierman respondeu que prefere investir seu tempo em boa pesquisa científica, no lugar de convencer céticos em um teste paralelo. Porém, depois de mais discussão adicional, ele decidiu ser capaz de conciliar os dois:

 

Depois de algumas trocas de ideias eu contatei Randi. Randi soou sinceramente interessado e eu desenvolvi uma proposta para uma experiência interessante que duraria um ano. Os efeitos experimentais neste tipo de pesquisa são pequenos e exigem muitas medidas para alcançar a significância estatística exigida (eu penso que Randi quis um valor p de 0.000001).

Note que ele não insistiu em mostrar o efeito no palco. Particularmente eu propus fazer uma espécie de experiência de precognição (realmente pressentimento) on-line com a Internet onde ele ou algum outro cético independente poderia gerar os alvos uma vez que as respostas fossem comunicadas pela Internet (tudo isso seria automaticamente feito num computador sob controle dele, dentro de um segundo). Isso preveniria a fraude do experimentador, mas nós ainda tivemos que descobrir como prevenir a fraude por parte de Randi.

Nesse ponto Randi mencionou que, antes de continuar, ele tinha que submeter a proposta preliminar aos administradores ou ao comitê científico. E basicamente aí foi o fim. Eu não tive nenhuma ideia em que ponto o processo foi obstruído, mas eu devo confessar que fiquei contente eu poder me dedicar apenas à ciência no lugar de ter que lidar com os céticos e com os exageros da mídia associada.

 

Bierman disse a Greg que deveria também entrar em contato com Suitbert Ertel, Professor Emérito da Georg-August-University, de Göttingent, que tem desenvolvido algo parecido para facilitar efeitos psi em larga escala - o que seria muito mais apropriado para o desafio de Randi. Depois que os resultados de Ertel tinham sido reproduzidos por outros pesquisadores céticos, Greg informa ter havido um contato de Ertel com James Randi sobre o Desafio. Indagado por Greg, Ertel explicou o seu envolvimento com o desafio injusto de Randi, mas também sobre um "Valoroso Desafio" oferecido por um grupo cético alemão:

 

Minha primeira abordagem [a Randi] foi em razão de eu pensar que o prêmio poderia ser alcançado pelo efeito planetário Gauquelin, um efeito estatístico "paranormal" ou "neo-astrológico", o qual estava muito familiarizado como pesquisador [vide acima a controvérsia sobre o ‘efeito Marte’]. O problema foram aquelas decisões relativas à amostra, que totalizaria em 1000 mapas natais, elas dependiam da informação de muitos conceitos, e Randi não sabia como lidar com as condições. Então a correspondência terminou.

A segunda abordagem foi feita porque eu me dediquei a ganhar o prêmio de 10.000 Euros que o GWUP alemão prometeu dar a alguém que pudesse demonstrar grandes efeitos psi. Vencendo este prêmio eu teria sido considerado por Randi como capaz de passar em seu teste preliminar, aquele teste inicial que deve ser percorrido antes de alguém ter permissão para solicitar o teste principal de Randi de $ 1.000 000.

O efeito psi exigido, inclusive para o teste do GWUP (= teste preliminar de Randi), era tão grande que eu não tinha esperança que pudesse mostrar tanto de psi, com ajuda de alunos psi-talentosos os quais selecionei para meu "teste com a bola de "ping-pong". Minha única meta era alcançar um efeito significativo por meio da estatística para fazer os céticos admitirem que observaram um efeito psi significativo. Esta meta foi alcançada em minha primeira tentativa do teste (um participante psi-talentoso) em 2005. Em 2006 outro teste foi conduzido com a presença das pessoas do GWUP: dois de meus alunos, psi-talentosos em testes anteriores participaram. Neste teste o efeito não foi significativo.

Uma das aparentes razões para este fracasso foi que os céticos mudaram arbitrariamente as condições dele de muitas formas, razão pela qual os participantes pareciam intranquilos sob forte controle - aqueles sentimentos que têm efeitos psi-inibitórios [vide o efeito do experimentador].

 

O primeiro teste de Ertel com o GWUP teve um valor p de .018. Ele falou, contudo, sobre dois outros alunos - entre vários observadores - que também participaram secretamente durante o teste. Seus resultados também foram significativos, dando uma significância total de valor p de .002. Ertel contou a Greg que os céticos do GWUP observaram os resultados dos dois alunos que participaram secretamente.

 

Ertel pensa que o prêmio de 1 Milhão de Dólares é conquistável, embora obviamente as chances exigidas sejam cientificamente injustas. Porém, como uma das regras é a de que candidatos devem pagar todas as suas despesas, ele estima que precisaria de pelo menos 10.000 dólares para fazer uma oferta de poucas chances para o desafio formal. Ele também gostaria de ter um advogado pessoal presente e outro cientista independente como observador, e precisaria selecionar de 3 a 4 participantes psi-talentosos perto da instituição de JREF onde os testes seriam apresentados:

 

Mas vencer o prêmio não seria minha preocupação principal. Minha preocupação primordial é alcançar níveis altos de significância sob controle de céticos. Os efeitos de Psi teriam que ser reconhecidos como existentes pela comunidade científica se fossem alcançados, isto é, reproduzidos (porque teriam sido observados diante do teste de Randi) com, digamos, p = .0001 - não precisa ser .000001. Vencer o prêmio Randi não é uma base científica para se reconhecer à existência de efeitos causais. P = .0001 ou aproximado, sob controle das pessoas que são peritas em fraude, (de forma que este fator seja controlado) e cuja predisposição e viés delas sejam para provarem que psi NÃO existe (então o viés também é rejeitado) permite mostrar psi como algo existente além da dúvida razoável.

 

A menção de Ertel sobre as despesas exigidas para tomar parte no desafio de Randi faz-nos observar "obstáculos" mencionados por Loyd Auerbach. Lendo as regras do Desafio do Milhão de dólares certamente causaria para a maioria das pessoas alguma preocupação. Duas das mais importantes, especialmente quando combinadas, são as regras #4 e #8:

 

4. O candidato concorda que todos os dados (fotográficos, registrados, escritos, etc.) juntados como resultado da organização, o protocolo, e o teste real, podem ser livremente usados pela JREF.

8. Ao entrarem neste desafio, até onde ele possa ser feito através de estatutos legais reconhecidos, o candidato abre mão de quaisquer e de todos os direitos para uma ação legal contra o Sr. Randi, e/ou contra quaisquer pessoas envolvidas de forma periférica, e/ou contra a James Randi Educational Foundation. Isso se aplica a danos, e/ou acidentes, e/ou a qualquer outro prejuízo de natureza física e/ou emocional, e/ou financeira e/ou profissional, e/ou danos de quaisquer tipos. Porém, esta regra de nenhuma maneira afeta a entrega do prêmio, uma vez que se vença apropriadamente de acordo com o protocolo.

 

Em outras palavras, candidatos dão a JREF/Randi virtualmente absoluta permissão para usar os dados conforme as necessidades de publicidade dele, sem qualquer recurso legal ao participante. Não é exatamente algo que seduz um candidato, ainda que James Randi fosse muito bem considerado pela comunidade de pesquisa parapsicológica, isso não deveria importar tanto. Porém, conforme Greg sondou “vários cientistas repetiram para mim suas desconfianças sobre Randi... E vários deles pareceram ter boas razões para tal juízo. Quando eu perguntei a Rupert Sheldrake sobre o Desafio do Milhão de Dólares – um cientista que havia investigado ‘telepatia ao telefone', a sensação de ser observado fixamente e possíveis habilidades psíquicas em animais - Sheldrake disse-me de maneira bem simples: ‘eu não levo o prêmio seriamente e, acima de tudo, eu não confio em Randi desde que eu o descobri como desonesto... Ele não é um cientista, não tem nenhuma credencial científica e é essencialmente um ator e um perito em fraude’". Sheldrake apontou um confronto anterior como evidência para sua desconfiança em James Randi:

 

A edição de janeiro de 2000 da revista Dog World incluiu um artigo sobre um possível sexto sentido em cachorros, a qual discutia um pouco da minha pesquisa. Nesse artigo Randi foi citado como dizendo que em relação a ESP canina, "Nós na JREF [James Randi Educational Foundation] testamos estas alegações. Elas falham". Nenhum detalhe foi dado sobre esses testes.

Eu enviei um e-mail a James Randi pedindo detalhes desta pesquisa da JREF. Ele não respondeu. Ele ignorou um segundo pedido de informações também.

Eu então pedi a membros da assembleia consultiva da JREF para me ajudarem a descobrir mais sobre essas alegações. Eles realmente ajudaram aconselhando Randi a responder-me. Em um e-mail, enviado em 6 de fevereiro de 2000, ele me disse que os testes que havia se referido não foram feitos na JREF, mas sim há "anos atrás" e foram "informais". Eles envolviam dois cachorros que pertenciam a um amigo seu os quais ele observou por um período de duas semanas. Todos os registros foram perdidos. Ele escreveu: "eu exagerei por duvidar da realidade de ESP em cachorros baseando-me na quantia pequena de dados que eu obtive. Foi precipitado e inconveniente de minha parte fazer isso".

Randi também alegou ter desbancado uma de minhas experiências com o cachorro Jaytee, uma parte delas foi exibida na televisão. Jaytee foi à janela para esperar por sua dona quando esta vinha a caminho de casa, mas não muito antes dela ter saído. Em Dog World, Randi declarou: "vendo toda a gravação, nós vemos que o cachorro respondia por todos os carros que passavam por ali e por todas as pessoas que caminhavam perto dali". Isso simplesmente não é verdade e Randi agora admite que ele nunca viu a gravação.

 

Ainda sobre a ‘telepatia em animais’, o criador do Skeptiko, Alex Tsakiris, informou em maio de 2008 que as negociações de Randi com uma equipe de pesquisadores que investigavam se cachorros são telepáticos terminou em um beco-sem-saída. Na época, o host Skeptiko, patrocinador da pesquisa, contou que o recuo de Randi foi uma surpresa: “…este é exatamente o tipo de pesquisa independente, feita por uma importante universidade, que James Randi tem solicitado. Nós até concordamos em renunciar ao prêmio de um milhão de dólares que ele oferece a fim de garantir o seu envolvimento e solucionarmos esta questão cientificamente, mas ele recusou.” As negociações de Tsakiris com Randi começaram em setembro de 2007, quando Randi apareceu no Skeptiko Podcast e pediu uma investigação independente sobre as alegações de telepatia canina. Em abril de 2008, Skeptiko lançou um vídeo mostrando os resultados bem sucedidos de sua primeira tentativa.

 

Um outro caso aconteceu com o Dr. Gary Schwartz, que figurou como alvo de frequentes ataques de James Randi em razão da pesquisa em Mediunidade. Rotulado por Randi de "Gary Crédulo" e acusado de acreditar na fada do dente, Dr. Schwartz recusou um convite de Randi para se submeter a um "painel qualificado e independente" a fim de discursar sobre os dados que colecionava. De acordo com Dr. Schwartz: "ele chama isso de 'painel qualificado e independente', mas é principalmente composto de pessoas escolhidas à mão para garantir a legitimidade de uma conclusão decidida de antemão e meramente carimbar os preconceitos dele". Nesse caso, Randi sugeriu que o painel incluísse Ray Hyman (membro do CSICOP), Marvin Minsky (membro do CSICOP), Michael Shermer (membro do CSICOP) e Stanley Krippner (um parapsicólogo a quem Randi está familiarizado). Não exatamente “independente”, alguém suspeitaria. Infelizmente, de acordo com o Dr. Schwartz:

 

James Randi tem uma história de se engajar na distorção da verdade... A recomendação que Randi fez do Dr. Krippner foi certamente aceitável para mim. Porém, quando eu contatei o Dr. Krippner diretamente para falar sobre a declaração do Sr. Randi a respeito dele atuar no painel, Dr. Krippner ficou preocupado. Dr. Krippner explicou que já tinha enviado um e-mail ao Sr. Randi declarando que não concordaria em participar de tal comitê. A verdade é, Dr. Krippner não estava disposto a servir no painel, e ele deixou isso claro para o Sr. Randi.

 

Ultimamente, apesar de James Randi assegurar que a aplicação do prêmio é um assunto simples, isso parece não ser o caso. Muitos dos mais "variados" candidatos têm esperado diversos anos para ter sua reivindicação testada; um desses foi Carina Landin, que passou por um processo de 3 anos apenas para alcançar o teste preliminar e depois de falhar em seu teste (alcançando resultados sobre o acaso, mas não num nível significativo) achou que seu protocolo não tinha sido respeitado... E então agora espera para ser retestada. De acordo com o 'Kramer', um antigo empregado da JREF que ajudava com as aplicações:

 

Nós experimentamos bastante, e isso certamente favorece muitos candidatos a concluírem que a JREF está "os empurrando em círculos", esquecendo-se que nenhum representante da JREF está envolvido no teste, e aqueles testes são determinados com a aprovação de Randi, mas sem seu envolvimento direto, a fim de assegurar a imparcialidade absoluta no procedimento. A JREF não pode garantir o envolvimento contínuo de terceiros voluntários (sem qualquer forma de compensação) em nome do Desafio JREF.

 

No geral, é bastante fácil ver por que "personalidades psíquicas" ignorariam o Desafio do Milhão de Dólares, independente da opinião de alguém sobre se seus talentos são reais ou fraudulentos. Isso os pede para arriscar suas carreiras por um milhão em um tiro (assumindo que eles não sejam fraudulentos), pondo todo o poder nas mãos de um homem que eles desconfiam - e que tem sido contrário a eles por vários anos - e sem recurso legal disponível.

 

Por outro lado, embora parapsicólogos enfrentem preocupações semelhantes, é agora aparente que alguns estão tão determinados a mostrar à evidência de efeitos psi que estão dispostos a arriscar um fracasso com o objetivo de fazer uma impressão. Tanto Dick Bierman quanto Suitbert Ertel sentem que existe um robusto efeito suficiente para eles, pelo menos cientificamente, a fim de provarem aos céticos que algo interessante está acontecendo. E talvez outros estejam cientes deste fato...

 

De qualquer forma, o Desafio do Milhão de Dólares tem pouca influência na aceitação científica de efeitos psi. Ainda que um desafiador tenha assumido os riscos e ganhado o milhão de dólares – apesar das melhores intenções de Suitbert Ertel - é duvidoso que céticos sejam convencidos. De acordo com o membro do CSICOP, Dr. Ray Hyman: os cientistas não resolvem assuntos com um único teste, então, ainda que alguém ganhe um grande prêmio em dinheiro numa demonstração, isso não vai convencer ninguém. Prova em ciência acontece por replicação, não por experiências únicas.

 

Pareceria que o movimento cético moderno tem todos os fundamentos protegidos. Se você não se candidatar, isso mostra que você não tem nenhuma evidência do paranormal. Se você se candidatar e falhar, igualmente. Se você puser sua carreira na linha e se candidatar, atingir probabilidades iniciais de 1000 pra 1, e depois de 1.000.000 pra 1, para ganhar o Desafio, então ele ainda não oferece nenhuma prova do paranormal. Ironicamente, o investigador paranormal Dr. Stephen Braude concorda com Ray Hyman sobre os méritos do Desafio: "a ideia de existir uma demonstração conclusiva para a comunidade científica do funcionamento psíquico está fundamentalmente quebrada, e a sugestão que um homem de espetáculos, ignorante cientificamente, deveria decidir o assunto é simplesmente hilária".

 

O ceticismo certamente é necessário em exames de alegações paranormais (sem mencionar em todas as facetas da vida). Porém, o Desafio da JREF parece estar principalmente orientado em fornecer ao movimento cético moderno uma ferramenta puramente retórica para atacar o tópico sobre o paranormal. Numa comunicação recente, James Randi diz: “o propósito do desafio sempre tem sido fornecer bases de discussão para céticos apontar que os pretendentes justamente não aceitarão a confrontação”. Entretanto parece que alguns pesquisadores da parapsicologia estão realmente mais dispostos do que Randi imaginou...

 

Parece bastante óbvio que o desafio do Milhão de Dólares não oferece - e nunca ofereceu - uma avaliação científica justa a respeito das alegações paranormais – especialmente, as estatísticas empregadas são principalmente baseadas em assegurar que o milhão de dólares permaneça a salvo. Outras regras adicionais se amontoam contra os participantes, dando controle de publicidade à JREF. Falando a Greg, Suitbert Ertel informou: Randi e aqueles que oferecem um grande prêmio em dinheiro para demonstrações de efeito psi são rotulados por exigir efeitos psi inatingíveis. É o dinheiro deles e eles devem ser cuidadosos em não o perder. Todo mundo deve admitir que isso é economicamente razoável. Mas cuidados razoáveis sobre dinheiro e propriedade são muito diferentes que cuidados científicos razoáveis.

 

Dr. Dean Radin foi mais brusco em sua avaliação: esse 'desafio' foi como saltar de uma ruidosa motocicleta sobre o Snake River Canyon: uma grande sensação, acompanhada de glória e arrogância, mas no final das contas irrelevante.