Clarividência

 

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M. Stefan Ossowiecki nasceu em 1877, de pai e mãe poloneses. Sua avó paterna era célebre, na família e entre os vizinhos, por seus dons de clarividência. Sua mãe apresentava as mesmas faculdades, conquanto menos desenvolvidas (pressentimentos, premonições). Um de seus irmãos também possuía dons de lucidez. Aos dezessete anos de idade entrou para o Instituto dos Engenheiros, de Petrogrado, a grande escola técnica da Rússia, que cursou até os vinte anos. Os seus dons de clarividência manifestaram-se espontaneamente. Um dos processos de interrogação mais usados na escola consistia em fazer cada aluno tirar ao acaso as questões de que deveria tratar e que se achavam dentro de envelopes fechados. Ossowiecki - com grande estupor dos professores - divertia-se em responder às perguntas sem abrir o envelope. Ora, a resposta era certa e exata, relacionando-se sempre com a pergunta escrita.

 

O dom que ele possuía de ler bilhetes fechados em envelopes (diga-se, desde estudante), desenvolveu-se a partir dos trinta e cinco anos de idade. Parecia que muitas pessoas postas na sua presença não tinham mais segredos para Ossowiecki, que não raro penetrava em seus pensamentos mais íntimos, lendo-lhes, como num livro aberto, o presente, o passado e mesmo o futuro. Além disso, S. Ossowiecki era capaz de encontrar objetos perdidos ou roubados. Posto em contato com tal ou tal pessoa que perdeu um objeto, ele podia, após alguns minutos de concentração mental, dizer onde se encontra o objeto, em que condições ele foi perdido, descrever quem o achou ou roubou, etc. (Geley, G., Ectoplasrnie et Clairvoyance, apud Tocquet, 1967).

 

Ossowiecki foi estudado em 1923 pelo Dr. Geley no Instituto Metapsíquico Internacional, onde leu com a maior facilidade escritos escondidos e reproduziu desenhos que se achavam dentro de envelopes. Além disso, revelou a algumas pessoas (que lá se encontravam com o Dr. Geley) o passado, o presente e o futuro das mesmas. Algumas delas ficaram literalmente estupefatas e mesmo aterrorizadas com as revelações que lhes fez o extraordinário vidente.

 

Ossowiecki deu notável evidência de clarividência ao Professor Charles Richet (Nobel em medicina), Dr. Gustave Geley e muitos outros cientistas ao ler o conteúdo de cartas seladas que, em muitos casos, era desconhecido para os experimentadores. Para Geley, ele leu o conteúdo de uma carta como se segue (vide Fodor e Lodge. Encyclopedia of Psychic Science, 1952):

 

Ossowiecki: "estou num jardim zoológico; uma briga prossegue, um animal grande, um elefante. Ele não está na água? Eu vejo sua tromba à medida que ele nada. Eu vejo sangue".

Geley: "bom, mas isso não é tudo".

Ossowiecki: "espere, ele não está ferido em sua tromba?"

Geley: "muito bom. Havia uma luta".

Ossowiecki: "sim, com um crocodilo."

 

A sentença que Geley havia escrito era "um elefante nadando no Ganges [rio no norte da Índia] foi atacado por um crocodilo que o mordeu em sua tromba".

 

Em outra notável experiência efetuada por Richet e Geley, escreveu-se num bilhete fechado em envelope opaco, a frase de Pascal: “O homem é apenas um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante” (Sudre, 1966). Ossowiecki disse: "refere-se à humanidade, ou melhor, ao homem... É uma criatura, a mais bruta... É um provérbio... São ideias de um dos homens mais importantes do passado... Eu diria que Pascal... O homem é fraco; um caniço fraco, mas... fraqueza... e também o caniço mais pensante".

 

Na literatura psíquica existem diversos escritos sobre um sem número de façanhas clarividentes de Ossowiecki, cuja reputação permaneceu ilibada até a morte (pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial).

 

Encontrar um sujeito como Ossowiecki sempre foi “como procurar uma agulha no palheiro”, ainda que na história da pesquisa psi possamos citar outros psíquicos extraordinários. Em outras palavras, procurar um indivíduo cuja habilidade psi seja altamente refinada pode ser algo bem frustrante em face de sua infrequência populacional. Aliás, essa é outra vantagem dos estudos quantitativos em contraste aos qualitativos. Usando métodos estatísticos, pesquisadores podem evidenciar um efeito psi (ainda que de pequeno tamanho), após a realização de inúmeras e inúmeras rodadas de testes psíquicos, não necessitando de um “Airton Senna” ou de um “Pelé” do psiquismo para provar a existência de telepatia, clarividência ou de outros fenômenos psi.

 

Pois bem, em 1933/34, na Universidade de Duke, Rhine procedeu a um dos estudos quantitativos, do tipo clarividência, mais famosos da história da pesquisa psíquica, conhecido como a série Pearce-Pratt de testes PES a distância. O sujeito, Hubert E. Pearce na época era um estudante da Divinity School em Duke e que, após algum tempo de ter se apresentado a Rhine, declarou herdar de sua mãe poderes clarividentes. J. G. Pratt, por sua vez, era um dos pesquisadores que participaram do experimento. O estudo objetivava testar a habilidade clarividente de Pearce, utilizando-se o baralho Zener.

 

Pearce e Pratt ficaram isolados um do outro, em prédios distintos, a distâncias de 100 e 250 jardas. Como o design do projeto era testar a clarividência, Pratt não sabia a ordem das cartas durante os testes. Rhine participou tão somente como julgador independente dos resultados, salvo na série D na qual ele se uniu a Pratt para testemunhar a execução do teste.

 

Nas 4 subséries (A, B, C e D), houve o total de 74 rodadas com o baralho Zener de 25 cartas, tendo o experimento se estendido de agosto de 1933 a março de 1934. Todas as subséries foram feitas a 100 jardas, com exceção da subsérie B, a 250 jardas. As 74 rodadas representam todos os testes PES com Pearce nesse experimento, sempre na condição de o sujeito e as cartas-alvo estarem localizados em prédios distintos.

 

O experimento foi procedido como segue: a despeito de qual subsérie estava a se desenrolar, Pearce visitava J.G. Pratt na sala de pesquisa no andar de cima. Os dois sincronizavam os relógios e combinavam uma certa hora para iniciar o teste, permitindo assim que Pearce atravessasse o pátio da Duke Library onde ele passava a ocupar um compartimento atrás do prédio. De sua janela Pratt poderia ver Pearce entrar na Library. Pratt então selecionava um pacote de cartas Zener dentre muitos outros sempre disponíveis na sala.

 

Ele embaralhava as cartas e dava um corte final, mantendo-as sempre com a face para baixo. Ele então colocava o pacote no lado direito da mesa em que estava sentado. No centro da mesa estava um livro fechado, tendo sido acordado com Hubert Pearce que seria o local onde as cartas ficariam para cada tentativa. No minuto definido para iniciar o teste, J.G. Pratt levantava a carta de cima do baralho, invertida, e a colocava de face para baixo sobre o livro, deixando-a lá por aproximadamente um minuto. No início do próximo minuto essa carta era tirada com a mão esquerda e colocada no lado esquerdo da mesa, enquanto com a mão direita Pratt pegava a próxima carta e a colocava no livro. No fim do segundo minuto, essa carta era colocada no topo de uma outra do lado esquerdo e a próxima era colocada sobre o livro. Desse modo, a uma taxa de 1 carta/minuto, todas as 25 cartas do pacote passavam pelo processo de isolamento, ou seja, uma carta por vez, sobre o livro no centro da mesa, o qual era o alvo ou o objeto-estímulo para as tentativas PES.

 

Em seu compartimento na Biblioteca, Hubert Pearce tentava identificar as cartas-alvo, minuto a minuto, registrando suas respostas a lápis. No final da rodada, havia, na maioria dos dias de teste, um período de descanso de 5 minutos antes de uma segunda rodada prosseguir exatamente da mesma maneira. Hubert Pearce fazia uma cópia de seu registro de tentativas, assinava essa cópia, lacrava-a num envelope, enviando-a a Rhine.

 

Em sua sala, J.G. Pratt registrava a ordem das cartas para os dois baralhos usados no teste tão logo a segundo rodada terminava. Esse registro também era duplicado, sendo a cópia assinada e selada num envelope para Rhine. As cópias dos registros [de Pearce e Pratt] selados eram remetidos pessoalmente a Rhine e, na maioria das vezes, antes de J. G. Pratt e Hubert Pearce compararem seus registros e quantificarem o número de acertos. Nas poucas ocasiões em que J.G. Pratt e Hubert Pearce se encontraram e compararam seus registros não selados, eles antes haviam entregue suas cópias seladas para J. B. Rhine, logo, os dados não poderiam ter sido alterados sem conluio, na medida em que J. G. Pratt ficava com os resultados dos registros sem lacre e qualquer discrepância entre estes e os resultados de J. B. Rhine teria sido notado. Na Subsérie D, Rhine estava presente para receber as cópias no momento em que os outros dois se encontraram imediatamente após cada sessão para checarem os acertos. Assim, a medida que a experiência seguia, Hubert Pearce era diariamente informado como tinha se saído em todas as suas experiências anteriores, como estava a sua taxa de acerto. O hábito de expressar entusiasmo deve ser mencionado como uma parte do processo. Se, como raramente acontecia, a taxa de pontuação era baixa, a ênfase era colocada favoravelmente ao desempenho global, à média geral mantida e à alta posição do sujeito na escala comparativa de sujeitos com habilidades PES.

 

Tratando-se de série de testes executados essencialmente sob as mesmas condições, as 4 subséries (totalizando 74 rodadas ou 1850 tentativas) podem ser agrupadas. Sendo o acaso a explicação para os resultados, a expectativa de acertos é de 370 ou 20%. O número total de acertos marcados para a série foi de 558, mais que 30%. O desvio padrão teórico derivado de uma base conservadora foi de 17,57. O total de 558 acertos mostra 188 acertos acima do nível do acaso, fornecendo uma razão crítica de 10,70. A probabilidade desse resultado ser fruto do acaso é menor do que 10-22, ou seja, as chances de o acaso ser uma explicação plausível são menores do que 1 em 1022.

 

Cada uma das 4 subséries é estatisticamente significativa de forma independente. A Tabela abaixo mostra, para cada subsérie, as datas, número de rodadas, desvios, razão crítica e probabilidade associada.

 

Subséries

Início

Data final

Distância

Rodadas

Acertos acima do acaso

Desvio Padrão

Razão Crítica

P

A

25/08/1933

01/09/1933

100 jardas

12

+59

7.07

8.35

<10-14

B

02/09/1933

30/09/1933

250 jardas

44

+75

13.54

5.54

<10-6

C

18/10/1933

10/03/1934

100 jardas

12

+28

7.07

3.96

<10-4

D

12/03/1934

13/03/1934

100 jardas

6

+26

5.00

5.20

<10-6

Resultado Combinado

25/08/1933

13/03/1934

100 jardas

74

+188

17.57

10.70

<10-22

 

Como Charles Tart (2009) coloca: “probabilidades de 1 para 20 (.05) são usualmente chamadas “significativa” na psicologia e em muitos outros ramos da ciência, enquanto probabilidades de 1 para 100 (.01 ou 10-2) são definitivamente significativas. Probabilidades como 10-4 (1 em 10.000) são raramente alcançadas nos experimentos comuns de psicologia”. O que então dizer das probabilidades alcançadas na série Pearce-Pratt de testes PES a distância?

 

O Programa de Visão Remota

 

Na década de 60, quando o serviço de inteligência americano descobriu que os soviéticos estavam gastando milhões de dólares em pesquisa, foi instalada enorme preocupação, pois era de conhecimento que os soviéticos não despendiam dinheiro em programas não produtivos. Ao verificar que a URSS investia em alguma forma de influência a distância (posteriormente chamada de visão remota – termo cunhando por Harold E. Puthoff e Russell Targ), a Inteligência dos EUA percebeu que a segurança nacional estava em risco potencial, já que não existia nenhum programa de pesquisa correspondente efetuado pelo governo americano, principalmente ao constatar-se que a “Ameaça Vermelha” deixou tal pesquisa a cargo do serviço de segurança. Como resultado e a despeito de toda rejeição da comunidade científica americana para assuntos dessa natureza, os EUA, inicialmente através da CIA, começaram a financiar e acelerar a busca por resultados militares para o uso de psi. Os investimentos iniciais foram direcionados ao Stanford Research Institute – SRI – (Menlo Park, Califórnia), instituição essa que já desenvolvia anualmente pesquisas financiadas pelo governo. Os agentes da CIA então se aproximaram de Puthoff, físico e ex-oficial da Inteligência Naval e que já havia trabalhado para a Agência Nacional de Segurança (NSA). O interesse por Puthoff por tais assuntos era proveniente de sua experiência com o psíquico Ingo Swann tempos atrás.

 

Em 2001, Rick Bremseth, comandante da armada estadunidense por quase 30 anos, publicou um trabalho como parte dos requisitos para a Marine Corps War College, Marine Corps University e Marine Corps Combat Development, que minuciosamente abordou diversos materiais classificados pelo governo americano como sigilosos, além de entrevistar alguns dos sujeitos diretamente envolvidos. Em tal monografia, observa-se que o governo dos EUA não só replicou a evidência de fenômenos psíquicos anômalos (especialmente de clarividência), mas também executou com êxito incursões militares com o apoio de psíquicos.

 

Utilizando-se a visão remota (i.e., clarividência) dos psíquicos Ingo Swann e Pat Price, a CIA desenvolveu um método, denominado Scanate, baseado nas coordenadas geográficas que serviriam como alvo para os agentes psi. Foi assim que, dadas as coordenadas para uma casa de montanha, localizada em West Virginia, de propriedade de um funcionário dessa Agência, os psíquicos descreveram um prédio da National Security Agency – NSA, próximo dali (que segundo eles era bem mais interessante). Swann e Price não só deram detalhes bem convincentes sobre como era esse edifício, mas também explicitaram os propósitos dele e “penetraram” num aposento protegido, obtendo o nomes códigos do prédio e de vários outros programas que eram extremamente delicados, o que foi confirmado, segundo Targ (2012), tanto pela NSA quanto pela CIA.

 

Em The Reality of ESP: a Physicist’s Proof of Psychic Abilities (2012), o físico Russell Targ resume sua experiência pessoal de evidência sobre Percepção Extra-Sensorial (PES) baseada nos 23 anos de investigações suportadas pela CIA, NASA, exército e Agência de Inteligência e Defesa (DIA) dos EUA, no Stanford Research Institute (SRI), programa fundado juntamente com o físico Harold Puthoff em 1972. Nessa obra, o autor detalhadamente descreve experimentos de visão remota publicados em jornais conceituados do mainstream científico, tais como Nature, The Proceedings of The Institute of Eletronic and Eletrical Enginners e American Institute of Physics, além de outras experiências altamente significativas e realizadas em favor do governo dos EUA durante a Guerra Fria, com subsídios atingindo os 20 milhões de dólares nas duas décadas de pesquisa. Targ destaca que muitos experimentos realizados no SRI, tais como o Scanate, estavam classificados pela CIA e só puderam vir a público após a quebra de sigilo em maio de 1995 (o que aconteceu com o apoio de congressistas, advogados e do Senador Clayborne Pell).

 

Em 1974, a CIA forneceu as coordenadas de uma Instalação de pesquisa não-identificada, localizada em Semipalatinsk, URSS. O lugar era destinado ao trabalho com equipamentos nucleares. Price acuradamente descreveu o prédio e o trabalho que lá estava executado. Ele rascunhou uma grande estrutura, como um guindaste de porte enorme, com 8 rodas, que literalmente girava os topos das construções em volta delas. Price ainda detalhou um trabalho que estava sendo realizado dentro de um dos prédios, uma experiência em soldar metal pesado para a construção de uma esfera de 60 pés. De acordo com o físico Russell Targ (2012), que junto com Puthoff desenvolvia as pesquisas em psi no Stanford Research Institute - SRI, tudo foi comprovado à época por fotografias de satélites, com exceção da esfera de metal, pois sobre ela, somente depois de 3 anos que foi constatada a precisão dos rascunhos de Price, quando tal construção foi descrita na revista Aviation Week, em 2 de maio de 1977. Targ ainda observou que, durante os experimentos, Price havia sido colocado numa sala eletronicamente protegida, dentro de um prédio de Rádio Física no SRI, situado a dez mil milhas de Semipalatinsk (Bremseth, 2001).

 

Após os resultados em West Virginia e Semipalatinsk, um físico e contract monitor da CIA para as pesquisas no SRI, A. Kress, escreveu uma sinopse nomeada Parapsychology in Intelligence: a Personal Review & Conclusions, cuja classificação atribuída foi nada menos que sigilosa. Nesse artigo, o autor concluiu que as pesquisas e experimentos demonstraram habilidades paranormais, mas que os pesquisadores não conseguiram explicar, de modo suficiente, ou alcançar a reprodutibilidade (aqui considerada para resultados imediatos, não preocupados com a ciência básica e os processos envolvidos). Em 1975, temendo escândalos, principalmente após as críticas do senador Proxmire, que atacava duramente os gastos com o dinheiro público em programas que ele achava sem sentido (no que incluía a pesquisa psíquica), a CIA deixou de investir na visão remota. Todavia, longe de o interesse governamental cessar, a força aérea dos Estados Unidos, junto com a Defense Intelligence Agency (DIA), tomaram as rédeas, sendo instituído, dentro do U.S. Army Intelligence Support Command (INSCOM), um programa (denominado Gondola Wish) cuja meta era determinar a vulnerabilidade militar dos EUA à visão remota. A fase inicial (de treinamento) foi logo interrompida em razão de uma crise no Irã, quando dezenas de americanos foram tomados reféns em 1978/79. Alterado o nome código do programa para Grill Flame, o grupo de observadores remotos teve a missão de tentar localizar os aprisionados no Irã, num universo de 400 americanos que se encontravam naquele país. Segundo um dos oficiais recrutados para o programa supersecreto conhecido como Stargate Project, Joseph McMoneagle, o Grill Flame não apenas identificou onde estavam 64 americanos presos no Irã, mas ainda outros 3, que por suas missões de natureza delicada, encontravam-se isolados do corpo principal de reféns. McMoneagle conclui ainda que não fosse a intervenção do Grill Flame, o governo dos EUA acabaria por ser forçado a negociar com os iranianos, o que poderia resultar na tortura e morte dos aprisionados (Bremseth, 2001). Essa crise no Irá foi retratada num recente filme vencedor do Oscar (de 2012), “Argo”, mas toda a trama psíquica subjacente foi simplesmente ignorada.

 

McMoneagle informa que, durante todo o conflito no Irã, o Grill Flame executou cerca de 600 tarefas determinadas pelo Conselho de Segurança Nacional - NSC. Os membros do Grill Flame recebiam, semanalmente, tarefas de visão remota da NSA, CIA, DIA, Serviço Secreto, FBI e de outras agências e organizações federais. Finalmente, os observadores remotos identificaram uma rota de resgate subterrânea, identificável apenas por velhos mapas Persas ou Romanos da rede de esgoto de Tehran. O esboço consistia num objeto em forma de grade em diagonal, com quadrados azul e laranja, também diagonais, cobertos por um objeto de forma oval. O que, a princípio, não fazia sentido, mas, felizmente - disse McMoneagle - foi seguido por alguém. Assim, cerca de 1/2 milha da Embaixada Americana em Tehran, havia uma área mercantil coberta por uma proteção com quadrados oblíquos azuis e laranjas, mascarando um objeto em forma de paralelogramo, mas que na realidade era um buraco tampado. Pois bem, nesse buraco eram conduzidas as linhas telefônicas subterrâneas que, desapontadamente, permaneciam em perpendicular à Embaixada. Porém, mapas arquivados do local revelaram que ali se encontrava um antigo sistema de esgotos de período pré-persa ou pré-romano, desconhecido até mesmo dos Iranianos, que se estendia abaixo do sistema de linhas telefônicas. O sistema de esgotos percorria sob a Embaixada dos EUA, com saída para uma de suas garagens, fornecendo assim tentativa real de resgate (Bremseth, 2001).

 

Targ (2012) ainda detalha outros casos surpreendentes de clarividência. Por exemplo, Em 1974, o departamento de polícia de Berkeley estava tentando localizar Patricia Hearst, a filha de uma das celebridades mais proeminentes da cidade de São Francisco – o editor do San Francisco Examiner. O psíquico Pat Price foi capaz de identificar e nomear o sequestrador da garota a partir de um livro com centenas de fotos. Ele se sentou, folheou o livro na delegacia e, em seguida, colocou o dedo no rosto de um homem e disse: - “esse é o líder do grupo”. O homem era Donald DeFreeze, que de fato foi identificado como o líder dos sequestradores dentro de uma semana.

 

Ao deixar o SRI, Targ e outro psíquico, Keith Harary, juntamente com o investidor de mercados, Anthony White, fundaram a Delphi Associates. Para seu primeiro projeto de pesquisa, o grupo desejava investigar a possibilidade de usar habilidades psíquicas para fazer dinheiro na bolsa de valores. O design do teste era do tipo clarividência precognitiva. Para tanto, convidaram o investidor Paul Temple e o corretor, John Rende. Utilizando-se de um protocolo simbólico, Targ associou um objeto diferente a cada um dos possíveis estados (i.e., preços) que o mercado poderia produzir para a semana seguinte. O grupo desejava então saber, com antecedência, como uma commodities, chamada de “December Silver” (mas que poderia ser comprada a qualquer momento antes de Dezembro), iria se comportar nos dias seguintes: I) “subir um pouco”; II) “subir muito”; III) “cair um pouco ou sem alterações”; ou IV) “cair muito”. Cada um desses resultados era associado a um objeto (uma flor, um livro, ou o que fosse!) e que seria mostrado a Keith de acordo com o comportamento das commodities.

 

Assim, às segundas-feiras antes do investimento, Targ entrevistava Keith e perguntava quais as impressões do objeto que seria mostrado a ele na “próxima sexta”. O corretor então comprava ou vendia contratos comerciais daquelas commodities futuras com base nas previsões de Keith sobre qual objeto seria mostrado a ele 4 dias depois. No fim da semana, após o fechamento do preço, Targ e Tony mostravam ao psíquico qual o objeto correspondente ao comportamento do mercado naquela semana. Pois bem, 9 previsões foram feitas no outono de 1982 e todas foram corretas, tendo o grupo lucrado cerca de $120.000,00. O empreendimento foi capa do The Wall Street Journal e um programa de televisão foi feito sobre a empreitada na BBC Horizon. No ano seguinte, os investidores quiseram dobrar a frequência das previsões, o que acabou gerando resultado negativo, atribuído por Targ a falta de tempo suficiente para o feedback dos resultados ao psíquico. Em 1996, Targ replicou o resultado com outra equipe, tendo como psíquica Jane Katra, além do suporte dos matemáticos Dean e Wendy Brown. Targ (2012) explica que dentro de um ambiente emocional bastante amigável foi utilizado um protocolo semelhante, mas do tipo redundante, ou seja, que tanto ele quanto Jane deveriam estar de acordo sobre a direção da previsão sobre o mercado para que então seguissem em frente com o investimento (se as commodities subiriam, cairiam, etc.), mesmo que os objetos a serem associados a partir de seus bancos de dados individuais fossem inteiramente diferentes. Assim, eles obtiveram 11 acertos em 12 tentativas para aquelas commodities futuras, tendo efetuado somente 6 passes; um resultado que não deveria ser visto mais do que 3 vezes em 1000 tentativas.